Este artigo foi publicado, em novembro, no "Brasil News", jornal para a comunidade brasileira no Canadá. Como ainda está atual, resolvi republicar aqui.
Passado o efeito Obama – sim, ele chegou com tudo em terras brasileiras -, o noticiário por aqui só despeja notícias sobre a crise. Até mesmo as eleições municipais, que já são página virada. A bem da verdade, os efeitos de crise ainda não são palpáveis ou visíveis ao olho nu dos leigos. Fica difícil explicar para o cidadão comum o que aconteceu ou o que está por vir, mas paira no ar um clima de impotente pessimismo. Na pior das hipóteses, de ansiedade sobre quando, onde e como a crise que começou nos Estados Unidos vai desembarcar no Brasil.
Mas como a imprensa brasileira – pelo menos os quatro ou cinco principais jornalões – ainda navega o mundo com a bússola do neoliberalismo, o raciocínio é simples: o Brasil esteve bem nos últimos anos por conta dos bons ventos da economia mundial. Daí, que Lula beneficiou-se desse mar da tranquilidade e chegou aos índices de popularidade que exibe. Portanto, vamos inflar a crise e ver como ele se sai. Afinal, 2010 é logo ali e temos novas eleições presidenciais.
Ou seja, por conta de uma ambição política – legítima e democrática, diga-se de passagem – vão apelar para o velho truque da terra arrasada para mostrar que os tucanos – leia-se José Serra governador de São Paulo – é que tem competência para navegar no mar revolto da crise internacional. Lula? Deu sorte, alegam eles.
Conspiração?
Parece teoria da conspiração de petista fanático? Também acho. Mas é que uma leitura atenta aos noticiários deixa esta impressão. Não se trata de mostrar que o ideário do PSDB é melhor do que o PT, tipo as diferenças entre um Estado eficiente (estilo PSDB) contra as políticas do PT (aumento dos gastos públicos e maior intervenção estatal na economia). Não é por aí a discussão. Trata-se, pura e simplesmente, de mostrar Serra como o melhor, pronto e acabou. Nem que para isso tem de se carregar a mão no pior dos mundos econômicos, sob pena de aumentar a especulação e o medo, infundado, do fim dos tempos.
É claro que a crise deve estender seus efeitos ao Brasil. Se é que eles não chegaram e a gente nem sentiu. Mas é bom perceber que o Brasil tem mais proteção hoje do que há alguns anos e que o país é hoje uma liderança. A reunião preparatória para a cúpula do G20 foi em São Paulo. Ou seja, já fazemos parte da história, embora muita gente queira minimizar isso simplesmente por questiúnculas político-partidárias.
De quem é a culpa afinal?
O governo brasileiro pode ser criticado na varejo, mas no atacado tem agido. Pode ter cometido alguns erros de avaliação e até de execução, mas já se alinhou com o resto do mundo e integra um bloco que pede mudanças na regra do jogo. Afinal de contas, a crise pode até nos atingir duramente, mas é bom lembrar que ela começou nos EUA e sua aposta cega no mercado como salvador e sem o mínimo de regulações ou até mesmo de bom senso.
Deu no que deu!
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