
Quem quiser entender a atual crise daquele estranho país ao norte do Equador precisa ler "Blackwater" do jornalista Jeremy Schahill. Com o codinome "A ascensão do exército mercenário mais poderoso do mundo", o autor disseca a organização (ou empresa, como preferirem) fundada em 1996 para oferecer treinamento militar privado e que fez o sonho da direita norte-americana: tornou-se um exército privado que não se submete as leis nem tem corte marcial para corrigir imperfeições.
Embora prolixo - o livro é um cartapácio de 550 páginas -o autor conta desde o nascimento da Blackwater, até seus abusos no Iraque. Narra também as facilidades encontradas por deputados e senadores corruptos e permissivos ao liberar fortunas (de dinheiro público, é bom registrar) à Blackwater. Por trás de tudo, Donald Rumsfeld - secretário de Defesa na era Bush, além do vice Dick Cheney. Os cofres da empresa receberam coisa de 1 bilhão de dólares em menos de dois anos.
Esse exército terceirizado tem um contingente de 100 mil pessoas, a maior parte oriunda de serviços de elite do exército norte-americano. No Iraque, há registro de massacre atrás de massacre. Mas o mais famoso foi na cidade de Fallujah. Depois de um ataque dos iraquianos, a típica vingança dos ianques não poupou mulheres, crianças e idosos.
Sobre seu fundador, Erik Prince, o colunista Elio Gaspari assim o definiu: "uma mistura de James Bond, Rambo, pastor da direita cristã e generoso financiador do Partido Republicano."
É leitura detalhista e às vezes repugnante por verificar o que a era Bush trouxe para o mundo. Pior: a conta está chegando e nós vamos pagar.
Blackwater - Jeremy Scahill - Companhia das Letras - 550 páginas
Nenhum comentário:
Postar um comentário