Primeiro foi a revista britânica "The Economist". Na edição de semana passada uma reportagem intitulada "Colhendo os frutos da indolência" mostrou que "alguns antigos aspectos dios antiquados da economia do Brasil estão agora ajudando a conter os estragos provocados pela atual crise mundial".
A revista diz que a influência "dominadora" do Estado sobre o setor financeiro vinha "atrasando a economia brasileira.
Depois foi a vez do economista Edmar Bacha no suplemento "Eu &" do jornal "Valor". Bacha - conhecido por cunhar o termo Belíndia, uma mistura de Bélgica com Índia, para definir o Brasil - afirma em entrevista que há defeitos estruturais na economia brasileira que podem se transformar em vantagens num ambiente de contração global de liquidez.
O país ainda tem uma economia relativamente fechada, um grande banco público (o BNDES) e uma tradição de ter uma população que não toma crédito. Nisto colaboram as abusivas taxas dos bancos privados.
Ou seja, fomos do inferno ao céu.
O mais intrigante é que o todo poderoso Alan Greenspan (ex-presidente do banco central dos EUA) defende a estatização dos bancos. Por aqui, semelhante ideia seria rechaçada debaixo dos adjetivos de "comunista" e outros não menos pejorativos. Mas a quem os bancos e montadoras de automóveis recorreram na hora do aperto? Ao Estado, leia-se, dinheiro do contribuinte.
Que a crise nos deixe mais lições do que estragos.
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