Postagem em destaque

De volta às origens

"O jornalismo é, antes de tudo e sobretudo, a prática diária da inteligência e o exercício cotidiano do caráter." Cláudio Abra...

sábado, 28 de março de 2009

Mudar para permancer



Quem tem mais de 30 anos deve se lembrar das mudanças propostas por um jornal norte-americano, o USA Today, no meio dos anos 80. Cansado do jornalismo com bases conceituais ainda da década de 50, o jornal se inspirou na TV. Afinal, quem hoje não tem ou não vê televisão, em especial os telejornais. Assim, o jornal abusou de cores e fotos, e diminuiu textos e quantidade de notícias. O USA Today resolveu ir além da TV e não apenas repetir o noticiário. Enquanto a TV tem instantaneidade, o jornal, em tese, já chega velho às bancas, pois a edição que chega com as primeiras luzes do dia nas bancas, foi finalizada na noite anterior. Tal fórmula inspirou o então nascente Hoje em dia (www.hojeemdia.com.br) que sacudiu o preguiçoso mercado mineiro de jornais e já chegou aos 21 anos ininterruptos.

Pois bem, a “Folha de S. Paulo” vem fazendo este mesmo caminho, só que seu alvo não é mais a TV e sim a internet. E parte da seguinte premissa: o papel que cabe aos jornais impressos é a análise. Portanto, terá textos cada vez mais curtos e vai jogar pesado em seu bom time de colunistas. O grupo pode se dar ao luxo de fazer este tipo de aposta. Dona do Universo On Line (www.uol.com.br), o site é um dos mais acessados e tem um invejável volume diário de informações. Além do noticiário em tempo real, são dezenas de blogs e outras parafernálias da rede mundial de computadores. Com todo este oceano de informações, a edição impressa já chega meio caduca na casa dos assinantes.

Futebol, paixão nacional


Um bom exemplo é o futebol. Com as partidas acontecendo cada vez mais tarde – em função dos horários da TV que sustenta muitos clubes – é difícil imaginar alguém que compre um jornal para saber o resultado de uma partida na noite anterior. Mesmo porque, aqueles que não acessam a rede, têm no prosaico radinho de pilha um aliado fiel. O sujeito quer mesmo saber de análises dos comentários.
As mudanças são, em última análise, bem-vindas.

Mas sempre há um porém. A tendência à monopolização. Três ou quatro grupos detêm o poder da comunicação no Brasil. Folha, Estado e Globo, além de jornais arrasa-quarteirões, também são donos de agências de notícias e a maioria esmagadora dos jornais Brasil afora como não tem capacidade de manter repórteres em Brasília, limitam-se a publicar o que as agências de tais grupos distribuem. Sem mencionar uma série de notícias que interessam somente ao chamado eixo Rio- São Paulo e que é levado para um indefeso leitor do “Diário de Borborema” no interior da Paraíba.


E como não há santos na história, é sabido que os três grupos têm lá seus interesses políticos. São todos discretos (ou nem tanto) aliados do tucanato paulista e José Serra já é tido, nas entrelinhas, como o futuro presidente do Brasil. Sem mencionar outros preconceitos não menos votados: uma certa indisposição com o Nordeste, com os movimentos sociais e arrogância de querer ditar normas para o resto do Brasil passando por cima de hábitos e costumes.

Mas ainda bem que a própria internet que inspira a “Folha” é a mesma onde a informação circula livre e um número cada vez maior de blogs e sites alternativos faz uma outra leitura do Brasil atual.

Nenhum comentário: