Uma notícia publicada nos últimos dias nos jornais brasileiros chama a atenção – em alguns destes jornais foi a manchete da primeira página. Aumentou – e consideravelmente – o número de lares que são chefiados por mulheres.
Segundo o IBGE, os lares formados por casais com filhos e que são chefiados por mulheres eram 200 mil em 1993. Em 2006 já eram 2,2 milhões. Para quem se impressiona com as estatísticas, vamos lá: em 13 anos passaram de 3,4% para 14,2%, um número dez vezes maior.
Ainda de acordo com o mesmo estudo do mesmo IBGE, não há dados confiáveis para se demonstrar se elas assumiram o trabalho fora enquanto o homem fica em casa ou se o casal trabalha fora, mas a mulher tem um contracheque mais polpudo no final do mês.
Mudanças à vista? Nem tanto...
Não sei os números mundo afora, mas a tendência deve ser planetária e irreversível. No Brasil, basta observar qualquer ambiente de trabalho e verificar o aumento (quando não o predomínio) das mulheres. Mas em que isso afetou as relações de trabalho?
Aparentemente muito pouco. Pelo menos no Brasil, com honrosas, heróicas e raras exceções, as empresas ainda engatinham em termos de ambiente de trabalho. E aí mora o paradoxo dos paradoxos: empresas têm mulheres no comando, mas a estrutura ainda é machista.
E não me refiro aos salários de uma maneira geral, mas às relações. Direitos básicos são notoriamente desrespeitados. Não há transparência e participação dos funcionários e, se você questionar, “dá-o-fora-que-tem-uma-fila-de-gente-querendo-seu lugar”.
Mas antes que as feministas me atirem pedras ou lotem meu e-mail com protestos, a culpa não é delas – embora algumas cheguem ao poder e queiram se vingar de quinhentos anos de machismo em uma semana. Elas chegaram aonde chegaram por méritos próprios e por lacunas que nós, os porcos chauvinistas, deixamos por incompetência.
Também não estou aqui a defender a “sensibilidade e a intuição femininas”, que afinal de contas são mais dois clichês machistas. Mas ainda há muito o que avançar. As relações sociais precisam ser revistas, já que o excesso de competição e individualismo está nos levando a um mundo doente. Ou o nobre leitor acha que o aquecimento global é culpa do Bush que não assinou o Protocolo de Kyoto? Assim como o homem hoje vai para o fogão sem ver sua virilidade ameaçada, podemos mudar conceitos e evoluirmos enquanto humanidade, sem distinção de gêneros.
Má notícia
Como nem tudo é perfeito, o mesmo estudo do IBGE mostra que os negros no Brasil ainda sofrem com a desigualdade. De 1996 a 2006, o rendimento dos brancos cresceu enquanto o dos negros caiu. Segundo a pesquisa, os negros ganham em média a metade da renda (R$ 502) de um homem branco (R$ 986,5). Sem falar nos bancos das faculdades ou nas cadeiras do Poder. Ainda contamos nos dedos os negros no Parlamento ou em órgãos do Governo, embora saibamos que a população negra seja grande e de suma importância na formação histórica e cultural do Brasil.
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