
Difícil analisar o bombardeio diário em cima do senador José Sarney.
Se por um lado, a gente vê o dedo malicioso da oposição que quer jogar a culpa dos pecados do mundo em cima do Lula, por outro defender o bigodudo grão-senhor do Maranhão nos ataca a consciência.
As gravações divulgadas pelo "Estadão" elevaram a temperatura.
A neta com voz de patricinha deslumbrada pedindo emprego para o namorado é revoltante, assim como o desdém com que os endinheirados filhos do clã Sarney tratam a coisa pública.
Mas também ver e ouvir o esganiçado Arthur Virgílio ao lado dos agripinos e heráclitos como arautos da honestidade, também dóóói...!!!
Tem também o Pedro Simon, tido e havido como exemplo, mas que simplesmente se calou depois das diatribes de Yeda Crusius, a governadora do seu Estado, o Rio Grande do Sul, que tem metido os pés pelas mãos, denúncia após denúncia, escândalo após escândalo.
Mas até mesmo a grande imprensa já percebeu que bater em Sarney não é moralizar a política. Articulista de "O Globo", Luiz Garcia comparou Sarney ao boi de piranha, aquele que os fazendeiros sacrificam às piranhas para salvar o restante do gado na travessia de um rio. Assim, ele disse que enquanto sangram Sarney, o restante do Senado - e da vizinha Câmara - se deleitam em continuar fazendo o que fazem há anos.
Ainda tem a questão de que o fato em si - nepotismo, gravações, armações, maracutaias - toma menos tempo do que a defesa que Lula faz do atual aliado político.
É preciso frieza ao analisar o sacrifício público de Sarney. Há mais interesses envolvidos.
Mas que dá raiva, dá!!
Foto: José Cruz/ABr
Nenhum comentário:
Postar um comentário